Livros da República #2 – “O Cinco de Outubro. Uma Reconstituição” (Gradiva)

Deste livro de Ernesto Rodrigues (que tem um blog), diz a editora que é “escrito como um romance e que se lê como um romance, nele se relatam os acontecimentos que rodearam a Implantação da República e a convulsão social, política e quotidiana vivida há cem anos. Ilustrado e com secções antológicas de documentos da época”.

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Podem ler a introdução no De Rerum Natura, do qual retiro este extracto:

Zero horas e quarenta e cinco minutos do dia 4 de Outubro de 1910: o comissário naval Machado Santos, de 35 anos, dirige-se ao quartel de Infantaria 16, em Campo de Ourique. À uma hora, quando o pequeno cruzador Adamastor sinaliza a Revolução com três tiros, cerca de 200 soldados e civis entram em Artilharia 1, em Campolide, donde parte a marcha vitoriosa, enquadrada, em Alcântara e no Tejo, por marinheiros. Trinta e três horas depois, caíam oito séculos de Monarquia. A instauração da República é o grande feito português do século XX.

Imagens da República #1

Caricatura de D. Carlos por Leal da Câmara
Fonte: História da República, Lisboa, Editorial O Século, p. 208 [1960], in Vem aí a República, Almedina

Revista de Imprensa #3

O Jornal de Notícias dá-nos a conhecer as propostas para uma nova Bandeira depois da Implantação da República. A história é curiosa, e as propostas apresentadas ainda mais. Ora vejam:

Dezenas de projectos foram apresentados a concurso e levados à apreciação de um júri em que se evidenciava a figura do pintor Columbano Bordalo Pinheiro. Apareceu por lá de tudo, além da bandeira vermelha e verde que acabou por ser adoptada e que se mantém, tendo sofrido apenas um ou outro refinamento no desenho, de então para cá. Mas não foi uma escolha pacífica. Das vozes que se levantaram, talvez a mais sonante tenha sido a do poeta Abílio Guerra Junqueiro, convicto republicano que, porém, defendia a manutenção do azul e branco que representara a monarquia constitucional. “A bandeira vermelha e verde é uma bandeira de pretos”, dizia.

Clique para ler o artigo completo de Pedro Olavo Simões

Há 100 anos #4

Quarta-Feira, 10 de Fevereiro de 1910

Lançada a revista Alma Nacional

«A revista republicana Alma Nacional surge em Fevereiro de 1910, sob a direcção de António José de Almeida. Teve 34 números e foi editada semanalmente até 29 de Setembro de 1910, a dias da revolução.

Propunha o director que a revista fosse a “crónica severa, e ao mesmo tempo agitada, da nossa vida e a precursora da pátria nova; (…) uma revista patriótica e um órgão de solidariedade universal, (…) arma de combate contra a monarquia, elemento de educação para o povo e instrumento de propaganda nacional, (…) Não será uma obra truculenta, mas um grito de indignação e de revolta (…) será a revista de todos, da plebe, dos trabalhadores, dos oprimidos de hoje.”»

«urge uma nova religião e um novo altar, um credo e uma fé republicana, um grande credo humanista que possa secularizar o cristianismo. Assim, o partido republicano tem de abalar o arcaboiço da sociedade velha…destruir o regime, deitar abaixo a monarquia, o Portugal brigantino, afastar o entulho monárquico, o guano clerical, os quatro séculos de jesuitismo.»

Fontes:

Vilela, Mário, Alma Nacional. Revista Republicana 1910. Linguagem e Ideologia, Porto, Civilização, 1977.

Livros da República #2 À Memória do Presidente-Rei Sidónio Pais

Sidónio República 1910 Pessoa Implantação Revolução LivrosEste livro de Fernando Pessoa, publicado pela 1ª vez em 1940 e na imagem numa edição da Editorial Nova Ática, serve sobretudo como pretexto para alertar para a excelente recolha de edições antigas que o blog República 100 anos 1910-2010 tem vindo a fazer de livros relacionados com a República. Se tiverem tempo, passem por lá.

Há 100 anos #3

Terça-feira, 1 de Fevereiro de 1910

Romagem às campas dos regicidas

Como habitualmente, muita gente dirige-se às campas dos regicidas, depondo flores e prestando homenagem aos que haviam atentado contra a vida da família real dois anos antes.  [Fundação Mário Soares]

Há 100 anos #2

Domingo, 30 de Janeiro de 1910

Decisão definitiva de revolução

Em reunião presidida por Theophilo Braga, o Directório Republicano planeia os seus movimentos e decide definitivamente avançar para a revolução.

Revista de imprensa #2

No Público, uma reportagem sobre Ilda Pulga, a mulher que inspirou o busto da República:

Apesar de não ter conhecido Ilda Pulga, que faleceu em 1993, com 101 anos, o sobrinho bisneto da mulher que posou e inspirou o escultor que concebeu o busto da República encara esse facto como “um afago para o ego”. “Uma pessoa que, aos 18 ou 19 anos, serve de modelo a um escultor para busto da República deve ter evoluído de uma forma diferente do comum dos mortais”, presume, considerando que a sua familiar “terá sido uma mulher com uma vida cultural muito intensa”.

Busto República Daniel Rocha Público Implantação Centenário

Foto de Daniel Rocha

No Sapo Livros, evocam-se os poetas da Primeira República, a partir de um projecto de Francisco Félix Machado e Edite Gil:

Deram os versos por uma causa na tentativa de ajudar uma mudança político-social que vinha florescendo em Portugal. Foram poucos mas marcaram uma época. Guerra Junqueiro e Antero de Quental são os poetas que representam com mais maestria a poesia com orientação política republicana.

Entretanto na rádio, a Tsf já arrancou com o Jornal da República, e as primeiras edições foram nem mais nem menos dedicadas a uma entrevista com o autor do nosso livro, Joaquim Romero de Magalhães. Podem ouvir aqui.

Cem anos depois, folheamos a crónica dos dias tumultuosos que levaram os republicados à tomada do poder em Portugal. No Jornal da República cabe a entrevista, a reportagem, o debate, as fichas de leitura, a agenda dos tantos eventos que se anunciam para celebrar, em 2010, o centenário da República em Portugal.

Jornal da República,
Uma edição de Fernando Alves e Herlander Rui

Aos domingos, às 10h00, com repetição à meia-noite de domingo para segunda-feira.

Livros da República – Os Postais da Primeira República (Tinta-da-China)

República 1910

A reimpressão desde livro de António Ventura será o primeiro de seis álbuns ilustrados sobre a República editados pela Tinta-da-China em parceria com a Comissão para as Comemorações do Centenário. Neste volume reúnem-se postais ilustrados do período 1910 a 1926. Podem ver alguns ali na Pó dos Livros.

Revista de Imprensa – “há sempre os que gostariam de possuir títulos de nobreza”

No passado Domingo, o autor de Vem aí a República, Joaquim Romero Magalhães, deu uma entrevista a Pedro Olavo Simões do Jornal de Notícias.

“Não existe crise de regime”

PEDRO OLAVO SIMÕES

Romero Magalhães diz que falta fazer justiça à I República e lembra que, no Estado Novo, os pretendentes monárquicos ignoravam a luta pela liberdade.

Porquê 1910? O que falhou antes? E por que escolheu esta baliza cronológica?

Aquilo que eu queria fazer era mesmo o que fiz: como se chegou à proclamação da República – apenas isso, não queria entrar na escrita da história do regime democrático. Em termos de conspirações, é muito difícil saber o que se passou, porque quase tudo é secreto, não se fazem actas… Mas, em geral, as tentativas anteriores falharam por deficiente organização e por falta de apoios devidamente preparados. Só quando se conjugaram alguns regimentos (poucos mas decisivos, como Infantaria 16 e Artilharia 1) com a Marinha, na sua quase totalidade, foi possível avançar. Junto com isto, destaca-se a acção da Carbonária, que se organizou para agir e, embora com pouco armamento, conseguiu dominar as ruas de Lisboa e paralisar e impedir a saída de unidades militares dos sítios onde as instalaram (Necessidades e Rossio). Além disso, houve um plano de defesa da monarquia que se revelou inadequado. Da convergência de tudo isto resultou a proclamação do 5 de Outubro, que logo teve enorme apoio popular em Lisboa e no Porto – e que foi proclamada pelo telégrafo em todo o País (como previra João Chagas). A monarquia nem sequer esboçou uma defesa. (…)

Como encara a grande visibilidade dada a sectores monárquicos da nossa sociedade, que aparentam ser pouco representativos?

Cada um tem as posições políticas que entende serem as melhores. É um direito inerente à pessoa humana, que merece todo o respeito. Há quem tenha naturalmente boas razões para isso, quem prefira ser súbdito a ser cidadão, quem entenda que se deve preferir a desigualdade à igualdade. Há também os sempre saudosistas, há os sempre reaccionários, há sempre os que gostariam de possuir títulos de nobreza, que a monarquia no século XIX vendeu com fartura. E há também aqueles que ambicionam tornar-se objecto de atenção do público. Para isso há até alguma imprensa especializada. Há quem goste disso: quer os que são vistos, quer os que vêem. Uma sociedade tem que englobar tudo: para que haja exibicionistas tem que haver quem goste de assistir a exibições. O importante é que em Portugal não haja uma questão de regime e que a República satisfaça plenamente a realização dos direitos do homem e do cidadão.

Ler a entrevista completa